REDAÇÃO/NovidadesMT
Um relatório do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, trouxe uma reviravolta na longa disputa pública entre a gestão anterior da Prefeitura de Cuiabá e o Hospital do Câncer de Mato Grosso (Hcan-MT). O documento, solicitado pelo Ministério Público Federal (MPF), conclui que a administração municipal, sob o comando do então prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), não possuía débitos com a entidade. Pelo contrário, os auditores constataram que o hospital é que tem uma dívida superior a R$ 1 milhão com os cofres públicos municipais.

A auditoria foi acionada após denúncias feitas nos últimos anos pelo presidente do Hospital do Câncer, Laudemi Moreira. Ele chegou a afirmar, em 2022, que a prefeitura devia mais de R$ 37 milhões à instituição, culpando os supostos atrasos nos repasses por afetar diretamente a prestação de serviços à população. A acusação gerou grande repercussão, envolvendo outras autoridades e ampla cobertura midiática.
Ex-prefeito reage e anuncia processos
Ao ter acesso ao resultado oficial da auditoria, Emanuel Pinheiro reagiu com veemência nas redes sociais. Ele publicou trechos do relatório e fez duras críticas a Laudemi Moreira.
“Você lembra como fui atacado, perseguido, vilipendiado por autoridades, entre elas o próprio presidente do Hospital do Câncer que, de forma desonesta, ocupou mídia, envolveu autoridades, deputados, vereadores, para montar um ambiente e jogar a sociedade contra mim e a minha gestão, inventando dívidas e valores”, escreveu o ex-prefeito.
Em tom de revide, Emanuel Pinheiro completou: “Chegou a desonestamente alegar dívida de R$ 37 milhões e que ia acionar a Polícia Federal contra mim. Olha aí quem precisa da Polícia Federal”. O ex-gestor municipal informou ao NovidadesMT que irá processar civil e criminalmente o presidente do Hcan-MT após o desfecho da auditoria.
Justificativa para eventuais atrasos
Em sua defesa ao longo do conflito, e reiterando agora com o relatório em mãos, Emanuel Pinheiro sempre sustentou que quaisquer atrasos pontuais nos repasses mensais ocorriam devido à recusa da administração do hospital em apresentar a prestação de contas dos serviços realizados dentro do prazo legal.
Segundo o ex-prefeito, a apresentação dessas contas é um dever da entidade para receber os recursos públicos, e o não cumprimento desse requisito é que impedia o fluxo regular do dinheiro.
O MPF, que solicitou a auditoria, deve analisar o documento completo e decidir sobre os encaminhamentos legais do caso. A revelação coloca em novo patamar uma controvérsia que há anos mobiliza a opinião pública e o poder judiciário na capital mato-grossense.